A diversidade e a inclusão efetivas em um conselho de administração trazem benefícios incontestes, mas sua implementação prática pode enfrentar desafios que, se não forem bem identificados e tratados, podem reduzir, não aumentar a eficácia do conselho.
1. Risco de tokenismo
Se diversidade e inclusão forem tratadas apenas como um requisito formal e não como um valor real da organização, pode haver conselheiros que não se sintam verdadeiramente incluídos no processo decisório, gerando frustração e ineficácia.
2. Resistência à mudança
Se a cultura do conselho já estiver consolidada e pouco receptiva a novas perspectivas, os membros mais diversos podem ter dificuldade para se fazer ouvir e influenciar as decisões.
3. Ruídos de comunicação
Diferenças culturais, de linguagem ou de estilo de comunicação podem, por vezes, causar ruídos e mal-entendidos, dificultando a construção de consenso e a colaboração efetiva entre os conselheiros. A nosso ver, quando há tais ruídos, eles podem ser facilmente resolvidos, com vontade política e método de trabalho.
4. Processo de decisões mais lento
Com a diversidade de perspectivas, valores e experiências, as discussões podem ser mais longas e, em alguns casos, gerar impasses. Isso pode tornar o processo decisório mais lento, especialmente se não houver um método estruturado para lidar com divergências. Nem sempre mais discussões prejudicam o processo decisório, diga-se, pois conforme o desafio, é melhor mesmo discutir mais.
Como mitigar esses desafios?
Para evitar que a diversidade e a inclusão se tornem fakes e comprometam a atuação de conselhos, em nossa opinião, é fundamental, sem esgotar outras possibilidades:
- Assegurar que todos os conselheiros tenham voz ativa e influência real;
- Definir processos claros de tomada de decisão;
- Promover treinamentos para melhorar a comunicação e a colaboração; e,
- Estabelecer uma cultura de respeito e escuta ativa.
Quando baseada em integridade e bem administrada, a diversidade e a inclusão fortalecem os conselhos de administração, propiciando decisões mais equilibradas, inovação, melhor gestão de riscos e muito mais. Mas é preciso atentar aos possíveis obstáculos que, inclusive, podem ser baseados em fatores subjetivos e mesmo difíceis de identificar e corrigir.
Por fim, não podemos deixar de lembrar a importância da visão e postura dos sócios controladores das empresas, nas reuniões do conselhos de administração. Sem a compreensão de que é preciso buscar a diversidade e a inclusão efetivas, não falsas, não é possível melhorar a governança.
Mônica Mansur Brandão